. 8 DE OUROS .

Queridas Pessoas,
Abril chega-nos com o 8 de Ouros para a sua Primeira Quinzena, levando-nos a reflectir sobre o nosso próprio empenho relativamente ao alcançar dos nossos objectivos.
Começamos por aqui: a maioria das pessoas, actualmente, vive em constante insatisfação com o seu dia-a-dia. Acordamos já cansados/as e desmotivados/as para o dia de trabalho que nos espera e a isto junta-se todo um rol de rotinas stressantes – o trânsito, as filas, as compras, as refeições a correr, os horários a cumprir, os relacionamentos sem conteúdo, os/as filhos/as a usar birras como forma de expressão e as tecnologias que, ao final do dia, disfarçadas de “momento para descontrair”, nos invadem o cérebro com luzes e cores que, muitas vezes, nos dificultam o sono tranquilo.
E parece que fazemos tanto, não é? Parece que passamos o dia a fazer coisas, a fazer tudo, sem que sobre tempo para nada… E, ainda assim, deitamo-nos insatisfeitos/as e insatisfeitos/as acordamos para o dia seguinte.
Paradoxalmente, o nosso dia é cheio de um enorme vazio. Vivemos, cada vez mais, como robots do sistema que nos envolve. Passamos o dia a fazer coisas sem que realmente estejamos a fazê-las – falta-nos a consciência, o foco, a presença.
Vamos todos os dias para o trabalho sem sabermos bem o que lá estamos a fazer. É uma obrigação, um dever e um ordenado ao final do mês, quando podia ser muito mais do que isso, se soubéssemos o que tem aquele lugar para nos ensinar e como podemos nós acrescentar-lhe algo. Comemos a primeira coisa que nos aparece à frente, de preferência já pré-feita, ainda que o nosso corpo ande a gritar em forma de alergias e doenças. Criamos a nossa imagem com base no que dizem os placards de publicidade, ainda que isso nos custe a alegria e a auto-estima. Opinamos com base no que a maioria diz, sem que paremos, verdadeiramente, para pensar com a nossa própria cabeça.
E isto – este estado de estar por estar – estende-se a tudo. A todas as áreas das nossas vidas.
Nós até nos queixamos. Muito. Quase todos os dias. Mas o que fazemos para mudar o rumo e alinhá-lo ao que realmente desejamos ser, fazer e viver? Nada. Ou quase nada. Porque esta “cultura de fast-food” em que vivemos está tão bem concebida que se culpa a si mesma, que aponta os malefícios que contém como sendo parte e que, com isso, os vai tornando normais e aceitáveis… E nós continuamos a passar ao lado de tudo, sem pestanejar nem questionar, pensando que a vida é cada vez mais moderna e fácil, quando na verdade é em toda esta modernice e facilidade que estão as maiores prisões ao nosso verdadeiro Eu – aquele que não se manifesta porque não tem espaço, porque é esmagado com todas as pré-concepções e certezas absolutas que o nosso próprio ego adopta em convivência com todas estas manipulações externas.
Porque é esmagado por todos os objectivos que nós achamos que são fundamentais, mas que não passam de futilidades impostas – “tens que ser o/a mais, o/a melhor, o/a primeiro/a”. “Tens que ser como te dizem para seres”.
E nós somos. Vamos sendo. “Vamos indo”, “vamos andando”, “mais ou menos”. Achamos que todos os dias cumprimos algo, mas a insatisfação, principalmente ao deitar e ao levantar, cá se sente. Bem no centro do peito.
A verdade é que não há nada, nem ninguém, que possa remover esta insatisfação interna de dentro de nós – a não ser nós mesmos/as. E ninguém o fará porque ninguém o pode fazer. Ninguém tem esse direito nem esse dever. Ela existe em nós precisamente para nos alertar de que estamos esquecidos/as e adormecidos/as, dissociados/as de nós mesmos/as.
Como podemos alcançar os nossos objectivos se, muitas vezes, nem sabemos bem quais são?
Sair daqui, deste estado de estar, requer empenho. Muito. Porque requer, antes de mais nada, que busquemos, por entre os véus da ilusão que nos rodeiam, a nossa verdadeira vontade. E isso exige esforço da nossa parte. Humildade. Honestidade. Responsabilidade. Se vale a pena? Vale. Vale tudo. Porque é a partir daí, do encontro com a nossa verdade, com o nosso verdadeiro Eu, que encontramos o nosso Propósito. Ou o propósito em cada coisa que fazemos… E a partir daí, o esforço por cada objectivo deixa de ser um fardo, pois a Alma canta e rejubila a cada passo do caminho.
De coração,
© Johanna Samna in Semeando, com orientação e guia da sua Equipa de Luz
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