. 3 DE ESPADAS .
Queridas Pessoas,
Março entra trazendo o Sol. Estamos prestes a chegar à Primavera e a ver iniciar-se o ciclo do nascimento da Mãe Natureza. E também para muitos/as de nós é tempo de renascer.
Para esta Primeira Quinzena de Março chega-nos o 3 de Espadas e vem pedir-nos que limpemos os nossos corações dos pesos do passado, para que novas coisas possam chegar a nós e ás nossas vidas.
Em pleno Quarto Minguante, estes são os dias ideais para pôr pontos finais. Para encerrar ciclos. Para proceder a conclusões. Que mágoas ainda pesam nos nossos corações? Que dores continuam a latejar, ainda que muitas vezes quase que inaudíveis? Que pensamentos de situações passadas continuam a massacrar-nos e a condicionar a nossa alegria e a nossa vitalidade? Onde é que continuamos presos/as?
O Ser Humano, por excelência, vive no passado. Ao “se eu soubesse o que sei hoje” juntam-se constantes repetições de memórias e acontecimentos passados, especialmente os de dor. Aquilo que alguém nos fez, aquilo por que passámos, aquilo que nos aconteceu. Aquilo que está lá atrás mas que continua a fazer-nos sentir tão mal como se estivesse novamente a acontecer no momento presente. E porquê? Porque nós mantemos viva a chama da dor dentro dos nossos corações. Somos nós que a alimentamos com o reviver constante das situações, palavras, sentimentos e momentos que nos feriram e que, muitas vezes e com o tempo, acabaram por moldar a nossa forma de estar, pensar e ser.
Ficamos carrancudos/as, defensivos/as, impacientes e fechados/as. Muitos/as de nós já acordam assim e é assim, neste limbo emocional, que se voltam a deitar. Sucessivamente. E é esta, muitas vezes, a razão pela qual as nossas vidas perdem a cor, o brilho, a alegria e o movimento.
Por tudo isso, é urgente procedermos a uma limpeza emocional. Não é fácil, não existem regras nem formas miraculosas de o fazer, mas faz-se. Faz-se a partir do momento em que o queremos fazer. Faz-se a partir do momento em que conseguimos ser honestos/as o suficiente para percebermos se estamos preparados/as para libertar o passado. Quando percebermos isto, percebemos que somos nós que o mantemos preso ao nosso presente e que está em nós o poder de o deixar ir.
Os outros têm em nós o poder que nós lhes damos. As situações têm em nós o poder que nós lhes dermos. A intensidade existe em nós na medida da importância que lhe dermos. E assim como a mente inferior e racional se vicia em pensamentos negativos, dolorosos e derrotistas, também é possível retirar-lhe esse vício, se conversarmos connosco mesmos/as. É muito importante resgatarmos isto – esta noção de que nós podemos, sim, comandar as nossas vidas.
O conteúdo escrito por Johanna Samna pode ser partilhado desde que seja referenciada a autora. Gratidão.
Imagem de Johanna Samna

