
Vão dizer-te que faças “assim”. Que escolhas “isto”. Que optes por “aquilo”. Que “isto” é o que toda a gente faz. Que “aquilo” é o que toda a gente espera de ti. Que fazeres “assim” é o certo. Que escolheres “aquilo” é o melhor para ti. Muitas vezes vão dizer-to com uma genuína preocupação para contigo. Outras vezes vão dizer-to por egoísmo, a pensarem apenas em si mesmos/as e nos seus interesses. Outras vezes vão dizer-to por ego inflado – eles/elas é que sabem! E outras vezes vão dizer-to porque realmente acreditam que aquilo é mesmo o melhor.
Vão dizer-to pelas mais variadíssimas razões, mas vão dizer-to e é nisto que te convidamos a reflectir, esta semana: quanto de ti há nas tuas decisões? E nas tuas opiniões? E no teu sistema de crenças, em geral?
É inevitável que o nosso sistema de crenças seja influenciado por factores externos a nós. O contexto familiar, cultural e social em que nascemos é o primeiro grande modelador, a seguir vêm as escolas, os amigos, os namorados e namoradas, as músicas que ouvimos, os programas que seguimos, os livros que lemos e tudo o que vai fazendo parte das nossas vidas.
Obviamente que há influências boas. Obviamente que é também fora de nós que colhemos sabedoria, estrutura, conhecimento e experiência para lidarmos com as nossas próprias vidas. Claro que sim.
Mas também existem influências menos boas – e é por isso que te convidamos a reflectir nisto.
As influências que te fazem ter ideias que não são compatíveis com o teu verdadeiro Eu, que te levam a ter atitudes, posturas, opiniões e até a fazer escolhas sérias na tua vida, sem que seja porque realmente é isso que TU queres.
É importante que perguntes a ti mesmo/a o quê que tu queres. O quê que tu gostas. Qual é verdadeiramente a tua opinião sobre algo. O quê que tu sentes! perante algo ou sobre algo. É importante que sintas, com o teu coração, qual é a verdade que te move, em todas as coisas.
É importante porque é cuidando da relação contigo mesmo/a que encontras o teu equilíbrio e o teu bem-estar. No contexto do nosso trabalho como terapeutas holísticas, na grande maioria das vezes, a grande causa para o desequilíbrio que as pessoas que nos procuram sentem, vem precisamente da falta de nutrição na relação consigo mesmas – e ao trabalharmos essa nutrição, o equilíbrio vai tomando forma.
É importante que tu saibas quem TU és e o quê que TU queres para ti. Que penses com a tua própria cabeça, que sintas com o teu próprio coração, que escutes a tua intuição, também.
Como é que isso se faz?
Com tempo para ti. Tira tempo para ti. Para estares só contigo. Abre a janela, respira fundo, fecha os olhos, sente a brisa no rosto, foca-te em ti. Questiona-te. Faz essas perguntas a ti mesmo/a. Fala contigo.
Claro que compreendemos que nem sempre consegues fazer exactamente o que tu queres, pois há decisões que incluem outros, também. Se por exemplo adoravas pintar quadros mas tens responsabilidades financeiras que não te permitem simplesmente despedires-te do trabalho que tens para te dedicares somente à pintura, tudo bem, é compreensível, mas não desistas totalmente do que desejas! Pinta nas tuas folgas, no teu tempo livre. Todas as semanas, agenda esse pedaço de tempo para a tua pintura. Inicia um projecto teu. Faz um site. Páginas nas redes sociais. Mostra o teu trabalho, começa a vendê-lo, vai criando e evoluindo. Começa, se é isso que tu realmente queres.
Há quem te vá apoiar e incentivar, há quem vá desvalorizar a tua paixão pela pintura. Não cedas à pressão dos outros – não tens que agradar aos outros, especialmente quando isso implica que te anulas, oprimes e ressentes. Especialmente quando isso interfere com a tua harmonia e estabilidade interna (e externa, também).
Serve para quem quer pintar, serve para quem quer (ou não quer!) fazer outra coisa qualquer – serve para toda e qualquer situação onde o mote seja o mesmo: encontrar o equilíbrio entre aquilo que realmente se quer e aquilo que se está a fazer por pressão externa.
Porque ao final do dia, é isto que importa: o teu equilíbrio. Emocional, mental, físico, espiritual. O teu equilíbrio, a tua estabilidade interna, que te sintas bem. Bem contigo mesmo/a. Bem na tua pele. De bem com a Pessoa que És – isto é o que importa e não deves, nunca, deixar de caminhar até chegares aí, a esse sítio interno onde estás em paz contigo mesmo/a.
Com bênçãos de Paciência, Coragem e Resiliência,
Abraço nosso ♥
Semeando – Johanna Samna e Eugénia Alves
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