Carta da Segunda Quinzena de Fevereiro (2015)

7 de Copas

Queridos/as,

Creio que é interessante, antes de mais, relermos a Carta da Primeira Quinzena de Fevereiro, que nos chamou a atenção para verificarmos as verdadeiras intenções que nos levam a mover-nos nas direcções em que estamos a avançar.

E dou-vos esta sugestão porque, para a Segunda Quinzena de Fevereiro, os Arcanos do Tarot enviam-nos o 7 de Copas – carta que nos pede/ensina a termos muito cuidado com as ilusões que construímos e que nos rodeiam.

Fevereiro é um mês interessante, recheado de energia criativa e impulsos de movimento. É também um mês de festividades eufóricas, como o Dia dos Namorados e o Carnaval. É um mês onde o foco pode ter tendência a ficar disperso, pois as distracções são muitas – e há que termos atenção a isto.

Claro que devemos festejar, celebrar e ter momentos de alegria e lazer. Mas este não é, de todo, o momento para baixarmos a guarda e esquecermo-nos da consciência que é necessária em todos os momentos. A distracção proporcionada pela euforia pode levar-nos facilmente à envolvência nos véus da ilusão – seja nos mesmos, seja em novos. E nós não queremos isso, pois não?

Amanhã (Quarta-Feira, 18 de Fevereiro), entramos no ciclo da Lua Nova em Peixes e convém reflectirmos um pouco sobre isto – que ilusões continuamos a alimentar nas nossas vidas?

Este ciclo tornar-se favorável no sentido em que dá continuidade à energia de criatividade para continuarmos a avançar com a materialização dos nossos sonhos, objectivos e quereres. No entanto, a profundidade emocional que rege este ciclo lunar poderá deixar-nos vulneráveis, sendo por isso importante que tenhamos a consciência esclarecida e atenta relativamente ás ilusões que facilmente poderemos alimentar e/ou construir.

Noções irreais a nível sentimental, ou expectativas construídas em excesso sobre determinadas situações, poderão conduzir-nos à desilusão e frustração de que, afinal, o que parecia ser, não o é. E tal como é importante detectarmos e percebermos quais são as ilusões externas que nos estão a deturpar a consciência, é igualmente importante percebermos que, em muitos casos, somos nós mesmos/as que construímos ilusões para que possamos permanecer nas zonas de conforto que, mesmo que saibamos que não nos são mais favoráveis, requerem um imenso esforço para delas sairmos.

Se é importante permitirmos que o imaginário se abra? Sim. Se é importante permitirmo-nos sonhar com o que desejamos e lutarmos por isso? Claro que sim. Mas cuidado com as ilusões. Quanto mais andarmos com a cabeça no ar, mais convém que mantenhamos os pés na Terra.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Primeira Quinzena de Fevereiro (2015)

Rei de Espadas

Queridos/as

Entrámos em Fevereiro, vindos de uma Lua Nova influenciada por Aquário, incentivando-nos a usufruirmos da nossa energia criativa na manifestação firme e sólida do que almejamos alcançar em nós mesmos/as e nas nossas vidas.

E neste impulso criativo que nos empurrou para a frente deparamo-nos agora, nesta Primeira Quinzena de Fevereiro, com o Rei de Espadas, como energia trazida pelos Arcanos do Tarot. Estamos em plena Lua Cheia, no auge de toda esta energia e os desafios intensificam-se. É tempo de percebermos a verdadeira intenção que nos move em tudo o que fazemos nas nossas vidas.

Temos sonhos, objectivos, desejos a alcançar. Vimo-nos entusiasmados/as com a energia criativa que sentimos a ferver em nós e começámos a fazer, a lutar, a manifestar… E podemos encontrar-nos agora em uma das seguintes situações:

Estamos no caminho certo, empenhados/as e firmes, sabemos o que queremos, mas estamos a ser assolados/as por dúvidas e medos. Coisas que nos sobem pela alma e que nos sufocam, muitas vezes até sem transparecerem para fora, mas que estão cá, flutuando, minando, enchendo o nosso pensamento. Por muito que a primeira tendência seja a de ficarmos ansiosos/as e perdermos o sono, o que realmente devemos fazer é OUVIR estas partes de nós. Estas partes de nós que têm medos e dúvidas, para entendermos quais poderão ser as nossas fraquezas e bloqueios. Certamente acabaremos por perceber que os medos e as dúvidas vêm de partes nossas inseguras, magoadas e vulneráveis. E é nesta sabedoria honesta sobre nós mesmos/as que realmente podemos fazer verdadeiras curas e transformações internas.

Ou então, pensamos que estamos no caminho certo, que sabemos o que queremos, que estamos ali firmes e sólidos/as… Mas há um vulcão interno que nos grita que algo está muito errado. E nós podemos fingir que não ouvimos, fingir que não percebemos, mas nada disso apaziguará este vulcão. Este vulcão que nos diz que não, não estamos no caminho certo. Aqui é importante questionarmo-nos sobre as verdadeiras intenções que nos levam a estarmos ali, naquele sítio onde no fundo, no fundo, não queremos estar. E que podemos até estar tão aparentemente bem que até nos enganamos a nós mesmos/as, por vezes… Mas depois vem o vulcão que nos diz que não, não é ali. Não é aquilo. É importante, neste caso, avaliarmos a percentagem de influências externas que nos levam a estar ali e qual a percentagem de verdadeira vontade, genuína vontade, de realmente estarmos. Nunca é tarde para mudar o rumo, desde que estejamos alinhados/as com o nosso Coração.

Fingirmos que está tudo bem, quando não está, não serve nenhum bem maior, pois é permanecer na ilusão. E o bem maior é servido quando quebramos a ilusão e estamos em alinhamento com o nosso Coração. Genuína e verdadeiramente.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Segunda Quinzena de Janeiro (2015)

O Mago

Queridos/as,

Os Arcanos do Tarot trazem-nos o Mago para esta Segunda Quinzena de Janeiro – é tempo de MANIFESTAR. De ir em frente. De FAZER.

Os últimos tempos têm-nos trazido diversos desafios através do caos da reestruturação – mudanças, divórcios, viagens, despedimentos, promoções, afastamentos, reencontros e todo um rol de ondulações emocionais e mentais que nos têm mostrado o que existe dentro de nós em todas as vertentes. Temos percebido o que nos faz bem, o que nos faz mal, o que queremos, o que não queremos, o que nos move e o que não nos faz mais sentido. Todos temos sido tocados assim, de uma maneira ou de outra, de formas diversas, mas com o mesmo objectivo – alinhar as nossas vidas com a verdade do nosso coração.

Tal como falámos na Primeira Carta da Quinzena, há aquela euforia típica de inicio de ano que nos atravessa e nos leva a preparar uma lista de objectivos a serem concretizados. Mas certamente que por esta altura já a euforia acalmou e a lista parece-nos agora pouco razoável, ou inatingível, ou demasiado difícil. Este é o momento para contrariar isso. Já. Não deixem arrefecer a vontade inicial, a energia de movimento de Capricórnio. Não. Não se sentem, não se acomodem, não parem. Avancem. Avancem. Avancem.

O Mago diz-nos que temos todas as ferramentas que precisamos para avançar. E temos. Temos todas as aprendizagens e conquistas que temos experienciado e vivido. Temos o nosso brilho e a nossa sabedoria! Temos muito, em nós! E é agora tempo de pegar nisso tudo e pôr em prática, naquilo que cada um tiver para manifestar nas suas vidas. Desde a manifestação genuína do seu Eu, até ao por em prática dos objectivos, sonhos e projectos estagnados.

A 20 de Janeiro entramos na Lua Nova em Aquário, o que aumenta exponecialmente o potencial de criatividade em todos nós. É o momento IDEAL para pormos os objectivos da lista EM PRÁTICA. Sejam eles quais forem. Sem medos. Ou melhor, sem permitirmos que os medos nos bloqueiem.

E a cada “e agora?”, auto-respondemos: “agora dou mais um passo.”

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Primeira Quinzena de Janeiro (2015)

4 de Copas

Queridos/as

Passámos os últimos dias de 2014 sob a influência da Lua Nova em Capricórnio, que nos deu força e foco para reestruturarmos as nossas resoluções para 2015. Renovam-se as forças, as dinâmicas, os impulsos e as vontades, para que o novo ano traga mudanças e concretizações.

Praticamente todos pensamos nisto, praticamente todos focalizamos isto, mas há algo muito importante que praticamente todos esquecemos – o ano, por si só, não muda nada. Somos nós que temos que mudar. Tudo o que for preciso. E praticamente todos dizemos que já sabemos disto, que temos consciência disto, que este ano é que tudo vai ser diferente, que este ano é que vamos mudar isto e aquilo, levar a cabo determinada tarefa, concretizar determinado objectivo, inebriados pelo frenesim de estarmos perante o inicio de um novo ano e de se apresentarem 365 novas páginas fresquinhas e em branco.

No entanto, os Arcanos do Tarot enviam-nos o 4 de Copas para esta Primeira Quinzena de Janeiro e lembram-nos que há algumas coisas a termos em atenção.

Primeiro – estas páginas não estão em branco. Estas páginas estão já marcadas por todos os padrões e bagagens velhas e pesadas que continuarmos a fingir que podemos/conseguimos/queremos carregar ao longo de mais um ano. Continuando a fazê-lo, depressa veremos que este cheiro a novo não passa de uma ilusão e que na realidade, continua a predominar o velho e conhecido cheiro a mofo.

Segundo – este frenesim perante a perspectiva do novo que se apresenta tem a tendência de passar depressa, quando percebermos que as grandes resoluções que queríamos fazer exigem trabalho, responsabilidade e foco – e os egos não querem isso. Os egos querem zonas de conforto.

Terceiro – estamos sob a influência de Capricórnio e a teimosia reina. Podemos usá-la para sermos perseverantes no avanço que precisamos de dar ás nossas vidas (de uma vez por todas!) ou deixá-la cegar-nos na renitência de que não há nada que precisemos mudar.

2014 levou-nos a profundos e intensos mergulhos no nosso interior para que soubéssemos cada vez mais e melhor conhecer aquilo que nos move e de que somos feitos. Para podermos ser cada vez mais genuínos e vibrar na verdade dos nossos corações – e podermos, assim, ser livres.

Não estamos a iniciar 2015 com a mesma cegueira. Não podemos estar. E se estivermos, é por pura teimosia. É por birra. É por dependência e apego ao que precisamos libertar.

O inicio de 2015 marca o compasso da mudança, sim. Marca o arranque para um novo ciclo, sim. Mas tenhamos presente que as novidades e mudanças dependem exclusivamente dos nossos passos de acção.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Segunda Quinzena de Dezembro (2014)

O Louco

Queridos/as

Dezembro vai a meio, prestes a chegar ao Solstício de Inverno e a todas as celebrações que anualmente fazemos. Há uma energia eufórica de festividade no ar, talvez comece até a parecer meio desajustada, tendo em conta o ano que vivemos. Explosões de fogo começam a notar-se á nossa volta e em nós mesmos/as e os movimentos astrológicos que atravessamos vêm aumentar e intensificar esta energia.

Os Arcanos do Tarot trazem-nos o Louco para esta Segunda Quinzena de Dezembro e pedem-nos atenção! Atenção a esta efusividade extrema que pode toldar-nos o discernimento e, quando dermos por isso, já não sabemos bem onde pusémos os pés.

Poderão haver momentos em que parece que os desafios internos já não pesam e que agora é hora de explodir e deitar tudo cá para fora – e isto pode acontecer sob qualquer formato e de forma descontrolada. As euforias extremas poderão vir acompanhadas de sensações de despreocupação e desleixo – “não quero saber!” – levando-nos a deambular numa aparente liberdade que se tornará perigosa pela falta de foco e atenção. Pelo mesmo motivo, as raivas libertadas neste momento poderão tomar proporções caóticas, pois os egos estarão á solta em manifestação livre.

É comum chegar-se a esta época do ano e fingir-se que está tudo bem, que as dores já não importam e que só interessa o amor e a paz. E isto pode ter resultado até agora mas há que entender que estamos a aproximar-nos de uma nova realidade, uma realidade onde a ilusão egóica tende a ser exposta de forma muito assertiva. Por isso há que ter cuidado com o falso perdão e com a falsa compaixão. O pano aparentemente bonito e leve que estamos habituados a construir nesta época por cima de todas as coisas feias será uma armadilha e funcionará como uma bomba relógio interna. Isto é duro, sim, mas será ainda mais duro lidarmos com os cacos em Janeiro, se não tomarmos atenção agora.

Mais do que nunca, há que manter o foco e a responsabilidade sobre quem somos e o que plantamos, pois com a aceleração energética que atravessamos, as colheitas acontecem de forma rápida e intensa.

Esta é uma época de celebração, sim! Mas façamo-lo, como sempre tem sido pedido, com verdade. Aproveitemos para construir, também aqui, uma nova realidade. Aproveitemos a energia mágica e bela que de facto existe para vermos, finalmente, a beleza que existe ao sermos autênticos e a magia que produzimos nas nossas vidas ao sermos responsáveis pelas nossas acções e atitudes.

Façamos deste fogo que nos é disponibilizado uma força motivadora para pormos em acção o que precisa de movimento, mas sem perder o discernimento. Atentos/as, sempre.

Aproximamo-nos do final de um ciclo e a escolha apresenta-se: queremos iniciar um novo ciclo ou vamos voltar ao principio de mais do mesmo que temos vivido e que nos tem saturado e desgastado?

A escolha é, como sempre, de cada um de nós.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Primeira Quinzena de Dezembro (2014)

O Carro

Queridos/as

Chegámos a Dezembro, prestes a culminar mais um ciclo anual das nossas vidas.

Dezembro é um mês interessante, um verdadeiro reflexo da dualidade que somos e em que vivemos. Traz-nos o Solestício de Inverno, que nos impele ao recolhimento e à instrospecção, mas influencia-nos com a Lua Nova em Sagitário, que nos agita e impele ao movimento e à expansão.

E os Arcanos do Tarot trazem-nos o Carro, para esta Primeira Quinzena de Dezembro, pedindo-nos que procuremos o caminho do meio, entre estes extremos, entre a dualidade.

Certamente que muitos de nós ainda se sentem atordoados/as com as influências desta passagem pela Lua Nova em Escorpião, que nos levou em mergulhos agitadíssimos pelas nossas emoções mais profundas – desde as mais depressivas e angustiantes ás mais alegres e eufóricas. Podemos inclusive sentir-nos momentaneamente com falta de foco ou sem saber como aterrar e pôr os pés no chão.

Entrarmos agora nestas novas influências energéticas pode ser positivo se seguirmos o conselho que os Arcanos nos trazem e procurarmos fluir por entre estas ondas, procurando sempre o caminho do meio.

E o que significa isto?

Em primeiro lugar, é urgente pararmos de nadar contra a corrente de nós mesmos/as. Se ainda continuamos aos tropeços e turbilhões emocionais é porque certamente há coisas que ainda não aceitámos em nós. Continuarmos a fingir que certas emoções e pensamentos não existem não nos servirá de nada, só trará contínuos períodos de angústia e ansiedade. Não há mal nenhum em aceitarmos as nossas falhas, dores, mágoas e sombras. São partes de nós e servem o seu propósito na nossa dualidade. Não podemos transformá-las em algo de útil enquanto não as encararmos e aceitarmos como existentes em nós. E este é o Caminho do Meio de que falamos hoje. O Caminho entre a Sombra e a Luz, entre a nossa dualidade.

Sagitário aponta a sua lança para uma visão ampla e mais além – vamos aproveitar esta energia para compormos as peças do puzzle que temos vindo a resgatar nos últimos meses.

Será bastante útil colocarmos as mesquinhices de lado e pararmos de querer controlar todos os pormenores e detalhes de todas as situações. Este é mais um mecanismo egóico que anda especialmente activo nos últimos tempos como forma de nos manter agarrados aos velhos padrões e formatos que teimam em manter-se presentes. São auto-armadilhas. Obtermos uma visão ampla significa desprender-mo-nos de tudo isto e visualizarmos o panorama maior, como se subitamente levantássemos voo por cima das nossas vidas e conseguíssemos ter uma visão geral do todo. Muitas coisas farão mais sentido, desta forma.

Este é um momento de observar e reflectir, sim, mas não de forma passiva e letárgica. Não no sentido de pararmos para ver a vida a passar, mas sim no sentido de fluirmos com ela, de nos permitirmos avançar por entre as ondas que atravessamos – segurando as rédeas nas nossas mãos.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Segunda Quinzena de Novembro (2014)

5 de CopasQueridos/as,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos o 5 de Copas para esta Segunda Quinzena de Novembro, o que me leva a perceber o quanto este mês tem sido, de facto, especialmente intenso a nível emocional.

A Lua Nova em Escorpião levou-nos num mergulho ás profundezas das nossas sombras e isto pode fazer-nos sentir que perdemos o controle sobre nós mesmos/as.

Certamente que muitos de nós temos experienciado dias completamente díspares uns dos outros, em termos emocionais. Dias de intensa força, alegria e motivação e dias de profunda depressão e tristeza, ou de imensa raiva e dor. Pelos mais variados motivos.

É normal. E faz parte. A dualidade Luz/Sombra existe e cada vez mais se apresenta de forma explicita, para que possamos perceber todas as partes de que somos feitos. É urgente aceitarmos este mergulho nas nossas sombras, é urgente enfrentarmos os nossos medos, é urgente (muito!), fazermos o luto emocional das velhas amarguras que nos impedem de abrirmos o Coração, ou de o abrirmos ainda mais.

Haverá certamente a tendência de nos agarrarmos com unhas e dentes ás mais variadas justificações para não deixamos ir essas velhas bagagens que já não nos servem… E há que ter cuidado com isto, porque o ego é ágil e manipulador e, sendo uma parte de nós, sabe, melhor do que ninguém, como se auto-manipular. A verdade é que enquanto andarmos a culpar os outros pelo nosso sofrimento, pelas dores que carregamos, pelos medos que não nos impedem de avançar, estamos apenas a justificar os nossos próprios boicotes internos.

É legítimo e de nosso direito chorar as nossas dores, perceber a responsabilidade que os outros tiveram nelas… Mas é nossa a responsabilidade de transformar tudo isso em algo útil. É nosso, inteiramente de cada um de nós, o trabalho de auto-cura para a libertação de tudo o que já não serve ao caminho que atravessamos. Em prol do Novo. Em prol do que queremos Ser e Fazer.

E no momento de agir, não há mal nenhum em ter medo… Desde que não deixemos que seja isso que nos defina e que defina a escolha das nossas decisões.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Primeira Quinzena de Novembro (2014)

7 de Paus

Queridos/as,

É provável que muitos/as de nós se tenham sentido, nos últimos dias, numa verdadeira roda viva de emoções.

Estes são os efeitos da Lua Nova em Escorpião que entrou a 23 de Outubro nas nossas vidas, levando-nos fundo nas nossas emoções, trazendo á superfície todos os reboliços que nos fazem andar aos trambolhões dentro de nós mesmos/as e que, com isso, nos inibem de caminharmos em frente.

Os Arcanos do Tarot trazem-nos, para a energia desta Primeira Quinzena de Novembro, o 7 de Paus, o que vem ainda mais reforçar este processo – pedem-nos que lidemos a fundo com os nossos obstáculos internos.

Isto significa que as velhas dores, as mágoas e medos guardados e os padrões emocionais bloqueadores saltam agora em força, fazendo-se sentir e mostrar, para que possamos perceber o quê que nos tem impedido de avançar em frente.

Tal como temos referido em quase todas as mensagens, estes são cada vez mais tempos de Verdade. Acima de tudo, de Verdade. E todos os ciclos, de uma forma ou de outra, nos levam aqui, a este pedido. Constantemente. Por vezes sinto que cada carta me faz repetir as mesmas coisas de formas diferentes. E talvez seja mesmo isso que acontece porque a Verdade é a única chave que realmente nos liberta de todos os mecanismos que nos iludem e que não nos permitem vermos o que realmente precisamos de ver. Dentro de nós. Nos nossos corações.

Existem processos que têm sido arrastados á demasiado tempo. Existem dores e mágoas que têm sido alimentadas á demasiado tempo. Existem, sim, feridas que nos foram feitas que precisam de ser expressas e mostradas, para serem curadas. Mas também existem boicotes que nós fazemos a nós próprios/as a serem enfrentados e assumidos. Existe, sim, uma bagagem imensa emocional que todos carregamos que precisa de ser aberta, gritada, arejada e libertada. E que é composta pelo que nos fizeram e pelo que nos fazemos a nós mesmos/as.

É importante, muito mais do que parece, percebermos quando e como é que nós mesmos/as somos, muitas vezes, os nossos próprios obstáculos. Isto é duro e mexe connosco profundamente. Mas é assim que ganhamos espaço para sermos genuínos/as.

A energia que atravessamos é poderosa, intensa e forte. Leva-nos ao limite, desafia-nos ao máximo, puxa por nós insistentemente. Não para termos medo, mas para termos coragem de darmos “aquele” salto de fé que nos leva para a outra margem. “Aquela” margem onde está a verdade do que somos e do que queremos alcançar.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Segunda Quinzena de Outubro (2014)

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Queridos/as,

Viémos de uma Primeira Quinzena de Outubro influenciada pela Lua Nova em Balança, onde nos foi pedida especial atenção á valorização a nós mesmos/as, antes de nos focarmos nos relacionamentos exteriores.

Há, de facto, uma energia de momento propícia ao trabalho com os relacionamentos e, dando continuidade á energia da Primeira Quinzena, os Arcanos do Tarot trazem-nos o 3 de Copas para a energia desta Segunda Quinzena de Outubro.

Agora é tempo de irmos um pouco mais a fundo nesta questão. E provavelmente muitos de nós já sabem perfeitamente disso. Já sabem perfeitamente que este é o momento de começarem a decidir quais os relacionamentos que pretendem manter nas suas vidas e quais necessitam de deixar ir… Com quem faz sentido continuar a caminhada de ora em diante e com quem já não faz sentido caminhar. Com quem realmente queremos estar e com quem estamos apenas por hábito, apego, necessidade de aprovação e/ou outras artimanhas egóicas.

E isto não se aplica só aos relacionamentos amorosos, aplica-se a todos os relacionamentos das nossas vidas – familiares, amizades, de trabalho, etc.

Há cortes que urgem de ser finalmente feitos e, igualmente, há ligações que merecem ser celebradas e honradas. E isto é uma coisa que só nós, nos nossos corações, é que podemos saber. E decidir.

É importante começarmos a deixar as terceiras pessoas de lado. Se a questão é entre 2 pessoas é entre essas 2 pessoas que deve ser resolvida. Há uma diferença entre desabafar e misturar. Entre falar e mal-dizer. Há que cortar com este péssimo hábito que o Ser Humano tem de misturar mais pessoas ou permitir que outras pessoas se intrometam em coisas que não devem, pois isso leva a chatices, mal entendidos, confusões e todo um rol de energias densas e conflituosas que servem apenas para complicar os relacionamentos.

É tempo de cada pessoa se responsabilizar pelos seus relacionamentos, pelo que diz, pelo que faz, pelo que sente, pelo que deve defender. É tempo do Ser Humano amadurecer e aprender a agir em conformidade com a Verdade e a Responsabilidade que cada poro e cada célula gritam por fazer emergir á superfície da pele. E sim, já começamos a poder/saber/dever fazê-lo não só para dentro, mas também para fora. Não só connosco mesmos/as, mas também com quem nos rodeia.

É tempo de sermos honestos, de admitirmos o erro, de expressarmos a mágoa, de sabermos falar e de sabermos ouvir.

E sim, haverão curas. Relacionamentos que recuperarão. Mal-entendidos que se esclarecerão. Mas também haverão cortes, separações, opções de caminhos separados.

E está tudo bem. Desde que as decisões sejam alinhadas com a verdade do coração, em respeito, responsabilidade e discernimento.

Esta é a derradeira limpeza que este Outono nos pede. Esta é a derradeira abertura para o novo entrar. Para que o que já não está adequado possa afastar-se e dar espaço ao que está por aí, alinhado com a nossa energia, á espera de poder chegar.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Carta da Primeira Quinzena de Outubro (2014)

Pagem de Ouros

Queridos/as,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos o Pagem de Ouros para esta Primeira Quinzena de Outubro. É-nos pedido que valorizemos o que de mais precioso temos. Entrámos também numa Lua Nova em Balança que nos traz o potencial do equilíbrio, principalmente a nível dos relacionamentos.
No entanto, antes de começarmos já a pensar nas coisas exteriores a nós, vamos focar-nos um pouco na primeira grande valorização que necessita de ser feita – a valorização a nós mesmos/as.

Temos atravessado intensos períodos de mudanças e transformações. Mudanças e transformações estas que nos levam a um trabalho interno de busca e conhecimento das partes que temos soltas e que necessitam de aceitação, reconhecimento e cura. E isto é belo, enriquecedor e transformador.

No entanto, facilmente fazemos deste trabalho um fardo castigador, na medida em que damos por nós á procura das nossas partes “más” que precisam de “castigo e punição” porque “queremos ser melhores e luminosos”. Entramos assim numa espiral de angústia e ansiedade, onde nos obrigamos a ser o que não podemos ser (somos humanos, acima de tudo!), exigindo de nós mais do que podemos dar, criando uma sensação de frustração e insatisfação que nos levam a um cansaço e exaustão quase constantes.

Temos lido, aprendido e ouvido que os momentos são de transformação, mudança e libertação – tudo isto para que possamos ser livres e felizes. No entanto, paralelamente, fala-se de conceitos de perdão, compaixão e amor que nos pedem paciência e ponderação.

Então em quê que ficamos? Liberto-me ou tenho que ter paciência? Digo o que sinto ou perdoo? Mudo ou aceito? Ficou ou vou? Faço ou não faço? Sou ou não sou? Tenho o direito ou não tenho?

Isto está a apresentar-se mais complicado do que parece… Porque continuamos a ouvir as vozes exteriores a nós. E este é o verdadeiro problema! Continuamos á procura de respostas naqueles que achamos que sabem mais do que nós, nos factores exteriores á nossa vontade e querer. Continuamos a colocar o nosso poder pessoal nas mãos dos outros e a agir em conformidade com a vontade dos outros. Continuamos a não ouvir o nosso coração e a não valorizar a nossa voz interior, a nossa intuição.

E esta sim, é a PRINCIPAL coisa a ser valorizada neste momento – NÓS MESMOS/AS.

Podemos ouvir conselhos, ler, aprender, ouvir, saber. Existem pessoas em quem confiamos, pessoas que amamos, pessoas que fazem parte das nossas vidas e que interagem connosco e que fazem parte de nós. E tudo isso deve ser levado em conta, sim.

Mas, em primeiro lugar e principalmente, é urgente aprendermos a respeitar a nossa individualidade, a ouvirmos o nosso coração, a pensarmos com a nossa cabeça e a honrarmos o nosso sentir. É urgente aceitarmos a responsabilidade pelas nossas vidas e recuperarmos o nosso poder pessoal.

É urgente criarmos uma estrutura interna equilibrada e firme, assente no auto-respeito, na auto-confiança e no amor-próprio.

E isto não é egoísmo, nem egocentrismo, nem falta de Luz. Isto é verdade, responsabilidade e respeito. Isto é criar uma estrutura de equilíbrio e segurança interna para, aí sim, podermos trabalhar os nossos relacionamentos exteriores de forma saudável, sem pormos em causa a nossa individualidade e sem desprotegermos o nosso território pessoal.

Cada um/uma de nós é responsável por si mesmo/a, pelas suas escolhas e decisões. Cada um/uma de nós é responsável por se valorizar, amar e respeitar.

Como poderemos exigir isto dos outros se nós próprios não o fizermos connosco mesmo/as?

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Imagem de Johanna Samna