
Enquanto crianças, todos/as nós temos uma capacidade incrível de sonhar. De imaginar. De viver em harmonia com o fluxo da vida, acreditando em todas as possibilidades. Saltitamos em êxtase, pintamos e desenhamos, abrimo-nos à hipótese de que podemos ser o que quisermos ser. Usamos cores, queremos brilho, rimos alto, sentimos a magia da vida.
É natural que com o crescimento uma parte desta euforia se perca. Amadurecemos, adquirimos responsabilidades, envolvemo-nos com as rotinas e as tarefas inúmeras que uma vida adulta acarreta. Faz parte, sim.
Mas, algures por entre esse caminho de crescimento, há uma altura crítica. Há uma altura em que a pressão da vida social, a pressão dos outros, a pressão das responsabilidades, a pressão de termos que pertencer e corresponder ao que é esperado de nós provoca uma quebra num dos sítios mais importantes de nós mesmos/as: na nossa essência.
E, por norma, nós não nos apercebemos disto. Nós não sabemos quando ou onde foi. O que sabemos, a determinada altura, quando as crises existenciais aparecem, é que nos sentimos perdidos/as de nós mesmos/as. O que percebemos, a determinada altura, é que estamos a ser e a fazer exactamente aquilo que prometemos a nós mesmos/as que não faríamos e não seríamos.
E atenção: aqui não estamos a falar daquelas que são aprendizagens naturais, necessárias e saudáveis de se fazerem no sentido do nosso crescimento, ganho de maturidade e evolução pessoal.
Estamos a falar de quebras de espírito. Estamos a falar de cedermos à pressão exterior, ao Mundo “lá fora”, à pressão de “ser diferente” do que a maioria é, faz e diz. É seres alguém que detesta maledicência e intrigas e dares contigo a seres assim porque no teu ambiente de trabalho toda a gente o é. É seres alguém que quer uma relação amorosa com conteúdo e dares contigo a aceitar relações vazias de afecto e compromisso só porque é o que o teu grupo de amigos faz. É seres alguém que entra numa profissão com valores nobres e vontade de fazer melhor e acabares por dar contigo a fazer exactamente aquilo que sabes que é incorrecto porque é o que toda a gente faz. É perderes a tua voz, os teus valores, as tuas convicções, as tuas vontades, sonhos e desejos. É perderes-te de ti. É disto que estamos a falar.
Então, Querida Pessoa, esta semana a Dica é esta: faz uma revisão interna sobre ti. Sobre onde tu estás, quem tu és e naquilo em que te tornaste. Avalia se estás feliz com quem tu és. Avalia se manténs em ti tudo aquilo que é importante para ti. E se manténs, óptimo. Agarra com unhas e dentes e não cedas! Se não tens, se perdeste algo de valioso pelo caminho, respira fundo e vai buscar. Resgata das profundezas do teu Ser essa voz, esse valor, essa convicção. A tua integridade. E agarra com unhas e dentes, não voltes a ceder!
Nunca é tarde para te reencontrares a ti mesmo/a. A hora é agora. E por muita pressão que o Mundo te faça, não cedas ao que põe em causa o que é importante para ti. Não cedas ao que põe em causa os teus valores, princípios, sensibilidades e particularidades. Não cedas ao que põe em causa o que é nobre, bom, bonito, do bem. Não cedas ao cinzento, ao mais ou menos, ao morno, ao “porque sim”, “porque a maioria faz”. Não cedas.
Com bênçãos de coragem e fé,
Abraço nosso ♥
Semeando – Johanna Samna e Eugénia Alves
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