25 de Março 2020

Passando a Mensagem (VI) …
Para quem a Mensagem fizer sentido.

Queridas Pessoas,

Estes são tempos desafiantes, os que atravessamos. Mas não tenho a menor dúvida de que a Vida só nos coloca em situações com as quais tenhamos capacidade de lidar… Ainda que elas sirvam, precisamente, para percebermos isso. Para encontrarmos recursos internos adormecidos que não conhecemos, ainda. Forças, criatividade, flexibilidade, agilidade, gentileza, resiliência, paciência, coragem, confiança, fé. Tantos recursos que não sabemos que temos, até termos que os manifestar. A partir daí, são nossos. Para sempre.

Comecei a sentir esta mensagem há precisamente 12 dias, mas escolhi esperar. Esperar para sentir a chegada da Primavera e a sua mensagem, esperar para digerir e me posicionar neste momento.

No dia em que Primavera chegou, a 20 de Março, sentei-me na varanda para receber a sua chegada. Quando a senti no ar, a instalar-se na Natureza, o meu peito renovou-se em fé e esperança. Os ciclos da Natureza não param. E os nossos ciclos, individuais e colectivos, intrinsecamente conectados com a Mãe Terra, também não. Fui-me deixando absorver pela energia que sentia a chegar, deslumbrada pelo brilho do Sol a bater nas folhas, as pequenas flores a quererem despontar e os inúmeros cantos de pássaros a espalharem-se pelo ar. Emocionada, levei a mão ao peito e enviei um sentir à nossa Terra Mãe: “Ao menos a nossa paragem deixa-te respirar. Estás a curar-te da poluição e toxicidade que a nossa rotina diária te provoca. Ao menos isso.”

Mas o sentir que veio de volta não foi alegre. Nem feliz. Nem tão pouco aliviado. Traduzindo-o para palavras da melhor forma que me é humanamente possível: “À custa do vosso sofrimento? Do vosso medo e dor? Não era assim que eu queria a cura. Claro que ao haver uma diminuição da toxicidade eu regenero-me. Claro. E isso é bom para todos. Claro. Mas a verdadeira celebração seria se a minha regeneração viesse de mudanças activas e conscientes por parte dos meus filhos Humanos… Não assim. Assim, fico num misto de cura, e de luto.”

As lágrimas correram-me pela cara, mas não me surpreendeu. Há muito tempo que a verdade que me move ganhou contornos muito próprios, despidos de formatações externas e dos floreados típicos das novas correntes da espiritualidade.

Por isso, basta! Basta de romancear e florear a maldade e a negatividade. De fingir que ela não existe, que faz parte de algum grande propósito Divino. Talvez seja importante questionarmos o que significa “está tudo certo”. Eu uso essa expressão, muito, mas claramente com um significado diferente do que é convencional. “Está tudo certo” porque está tudo dentro do que cada pessoa manifesta na sua realidade dentro do direito ao seu livre-arbítrio! “Está tudo certo” porque é o que é. É a realidade criada. Mas “certo” não é necessariamente “correcto”. Estar tudo certo não é necessariamente estar tudo bem, ser esse o melhor potencial que se pode alcançar. Estar tudo certo é, no meu sentir, aceitar a realidade que se apresenta como ela É. E a partir daí, observá-la, senti-la, questioná-la. Se está alinhada com o meu melhor potencial? Excelente! Se não está, há que fazer novas escolhas e transformar.

Na prática: “está tudo certo” em estarmos a atravessar uma pandemia a nível mundial. Porque estamos. É o que é. É a realidade. Mas que não se façam confusões: este não é, de todo, o nosso melhor potencial! Acham mesmo que esta situação faz parte dos propósitos Divinos? Que foram Seres de Luz que a criaram para que a Humanidade evolua? Que foi a Mãe Terra que nos pôs doentes para se curar? Se acham, então não são diferentes das religiões que castram, oprimem e punem com os seus Deuses castigadores!

Basta de se andar a falar na Lei da Atracção e do Retorno de peito cheio e depois simultaneamente “o Universo é que sabe” ou “eu sou só (qualquer coisa)”. Então? Mas somos os “grandes criadores da nossa realidade” ou não somos? Somos “Seres Divinos na Terra” ou não somos?

Eu cá diria que somos. É o que sinto. Mas também sinto que está definitivamente na altura de assumirmos a responsabilidade do que isso implica! Sem mais fugas ou subterfúgios. E isso leva-me a uma verdade clara: não, não há propósito Divino nenhum nesta pandemia. Esta pandemia não é mais do que o reflexo claro do estado actual do colectivo. Ainda é dada demasiada força ao pior da Humanidade. Ainda se alimentam demasiado as sombras, manipulações, maldades, crueldades, violências. E assim, claro que se torna possível criar uma calamidade destas no colectivo.

É hora de percebermos o que significa um dos outros grandes chavões actuais: “Somos Todos Um”. Pois é. Somos mesmo. E agora é que podemos REALMENTE perceber isso. Porque a pandemia não é sobre mim, nem sobre ti, é sobre o COLECTIVO. É sobre percebermos o quanto estamos todos ligados e o quanto as acções individuais afectam o Todo!

Serve esta pandemia como um grande abre-olhos para todos nós! Para pararmos definitivamente de fingir que está tudo bem, tudo a evoluir de acordo com os propósitos Divinos etc. e tal – e percebermos a real situação em que estamos. Como Colectivo!

Realidade aceite, vamos ao passo seguinte.

Está tudo perdido? Não, não está. Esse é o milagre das Leis que nos regem, que operam por si mesmas, mediante as nossas escolhas… Livre-Arbítrio, Lei da Atracção (ou Criação, como lhe chamo), Lei do Retorno, Lei do Karma ou Dharma… Não têm tempo, nem espaço, nem limitação… Tal como a Lei da Gravidade não tem. O objecto cai ao chão porque cai, porque não estávamos com atenção e deixámo-lo cair, ou porque o atirámos de propósito, seja o que for, mas não foi porque nenhum Deus o atirou ao chão. Foi porque a Lei da Gravidade existe. Por isso, para a próxima, teremos certamente mais cuidado ao mover o objecto… Porque sabemos que se não tivermos cuidado, ele cai. Perdoem-me os cientistas, mas é exactamente assim que encaro as Leis Divinas (ou Magnéticas, como lhes chamo). Elas operam sozinhas, por si só, mediante as nossas escolhas (percebem agora o porquê da importância de sermos conscientes das escolhas que fazemos?).

E aqui partilho um fragmento da teoria que alinhavei para servir de base ao caminho que percorro e que ensino: fazemos uso do direito ao nosso Livre-Arbítrio para fazermos escolhas. Fazer escolhas é criar (Lei da Criação). Dessa criação vem um retorno (Lei do Retorno). Da forma como lidamos com o retorno acumulamos a experiência pela negativa (Karma) ou pela aprendizagem que nos acrescenta e ajuda a evoluir (Dharma). E este ciclo gira em círculo, por si mesmo, fluentemente pelas nossas vidas.

Quero com isto dizer o quê? Que sempre que recebemos um retorno, renovamos a criação. Ou seja: não, não está nada perdido! Pois continuamos a poder criar a realidade que desejamos! Agora mais realistas. Mais conscientes do caminho que há a trilhar em frente!

Simbolicamente, se fossemos um grande exército, serviria este momento para que pudéssemos fazer uma pausa no campo de batalha e pudéssemos re-avaliar o panorama geral, re-organizar, re-posicionar, re-agrupar. Para podermos retomar a batalha, dali a uns dias, mais preparados e conscientes.

Por isso, para quem teve a coragem de me ler até aqui – respira fundo. A sério. Inspira. Expira. Profundamente.

E agora?

Agora leva a mão ao teu coração. Sente o teu coração sagrado a pulsar em ti. Agora, faz uso desse conceito tão falado de que tens o teu Eu Superior na tua energia. Tens, sim. Trá-lo até ti. Traz a tua força, a tua Luz, o teu amor, a tua essência, à tua Humanidade. Traz para AQUI! AGORA! Assume-te como o Guerreiro ou Guerreira de Luz que És! Traz para a realidade do teu dia-a-dia todas essas coisas bonitas e amorosas em que vibras ao Sábado de manhã no teu grupo de meditação. Não as deixes de fora da tua ida ao Pingo Doce, da tua reunião de trabalho, da discussão com o teu familiar ou do teu jantar de amigos. SÊ SEMPRE QUEM TU ÉS! À tua maneira, claro, com os teus ajustes, claro, pois certamente que haverão contextos onde sentes que não podes ou não deves expor-te demasiado, mas não te apagues! Podes sempre ser coerente e alinhado/a com a tua verdade, a cada momento da tua vida.

É assim que contribuis verdadeiramente para a mudança que almejas ver no colectivo. E acredita, essa é a tua parte. Seres, TU, no teu dia-a-dia, o teu melhor potencial. Porque ao seres o teu melhor potencial estás a emanar essa vibração para o todo do qual fazes parte.

Mas não te esqueças de seres realista e perceberes que assim como tu estás a fazer as tuas escolhas, cada ser humano está a fazer as suas. Não podes controlar tudo. Não te cabe a ti fazê-lo, sozinho/a. Mas cabe-te fazeres a tua parte. Teres a certeza absoluta de que estás a fazer a TUA parte. Essa é a tua missão.

Faz o teu trabalho interno a sério. Encara as tuas sombras de frente, aceita-as. E aí, sim, poderás transformá-las. E aprender com elas. Têm muito a ensinar-te, sobre ti. Sobre quem tu és o que te move. Não tenhas medo delas, pois se é no teu coração sagrado que assentas o teu movimento pela vida, saberás transformar-te. Saberás fazer as melhores escolhas. Confia em ti. Confia no teu coração.

Não faças do teu ego o teu inimigo. O teu ego é o centro da tua personalidade. Questiona-o. Aceita as suas feridas e o que nele estiver doente e cura-o! Cura-o para que possa dar-te afirmação pessoal, força e foco.

Assume o teu melhor! Não te escondas. Honra a beleza que há em ti. Honra a tua palavra, a tua verdade, os teus dons, saberes, conhecimentos. Valoriza-te!

Aproveita este tempo de recolhimento e questiona-te. Mergulha para dentro de ti. Posiciona-te na tua vida. O que te move? Quais são as tuas prioridades? O que andas a fazer com a tua vida? Faz as tuas escolhas. Pensa com a tua cabeça. Sente com o teu coração. Escuta a tua intuição. Aprende a filtrar conselhos e o conhecimento dos outros para que se adaptem a TI e à tua individualidade e realidade, ao invés de mergulhares na confusão de já não saberes quem é que tem razão. Sente a tua verdade. Vibra na tua própria essência.

Aproveita e faz já isso com esta mensagem. Filtra-a. O que te fizer sentido, guarda. O que não te fizer sentido, deixa ir. Eu respeito a tua escolha.

A Primavera chegou. Ela é a Mestra da arte das emoções. Pede-lhe ajuda. Deixa-te absorver pela brisa do vento, pelas cores das flores, pelo movimento das folhas das árvores. Deixa-te fluir com os ciclos da Natureza e flui pelos teus próprios ciclos. Empodera-te. Afirma-te. Sê.

Acende uma vela para o colectivo, se quiseres. Faz uma prece com as tuas intenções de cura e harmonização. Faz diferença, sim.

A tua fé tem muita força. Mais do que imaginas. EU acredito em ti. Eu acredito tanto em ti que foi por isso que escrevi esta longa mensagem. Para te dizer que agora, é hora de fazeres uso da força do teu coração sagrado. E para te dizer que, mais do que nunca, estes são tempos de união. De forças unidas, venceremos. Não tenho a menor dúvida disso.

Bênçãos de fé e força para ti!
Bênçãos de fé e força para o colectivo!

De coração,
Johanna Samna in Semeando

O conteúdo escrito por Johanna Samna pode ser partilhado desde que seja referenciada a autora. Gratidão.

Imagem de Anne Stokes

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