Passando a Mensagem (V) …
Para quem a Mensagem fizer sentido.
Queridas Pessoas,
Perdemos muito tempo a querer ter razão. A querer ter a melhor opinião e a única verdade… Quando ouvimos alguém, ouvimos para justificar, maioritariamente. Para ter uma palavra a dizer. Escutamos pouco, verdadeiramente. Porque, acima de tudo, prevalece a necessidade de ter razão, de saber o que é o melhor e o que é o certo…
Isto serve um único propósito: alimentar o ego doente.
Aqui, no caminho que trilhamos e que passamos aos outros, não somos defensoras de que o ego é desnecessário e mau. Longe disso. O ego faz parte de quem somos, da nossa humanidade. É o criador da nossa personalidade e se queremos agarrar o nosso Eu individual e único, precisamos do ego. Daquela parte de nós que nos define enquanto pessoas.
O problema é que o ego, por norma, quer ter razão, quer estar acima, acha que o mundo gira à sua volta. E isto, é chato. Bloqueador. Inibe-nos de alcançar novos horizontes, fecha-nos em caixinhas de certezas absolutas e dificulta, muito mais do que imaginamos, a interacção com os outros. No entanto, por mais chato que seja, ele continua a fazer parte de nós, queiramos ou não. E é uma parte importante, queiramos ou não. Por isso, anulá-lo (como tanto se defende por aí) não pode ser a solução. A ausência de ego significará a ausência da nossa personalidade! Não queremos isso. Não queremos adormecer, ficar no morno, no mais ou menos, no assim assim… Queremos acordar, despertar, chegar à nossa essência, certo? Pois isso faz-se juntando TODAS as nossas partes – sem deixar nenhuma de fora.
O que o ego precisa é de ser trabalhado – isso sim. O que ele precisa é de ser observado, compreendido, escutado, por nós. E isto dá trabalho, porque exige que saibamos ver-nos, verdadeiramente, ao espelho. Por isso, o que o ego precisa é que sejamos humildes e honestos/as o suficiente para percebermos onde é que ele está doente, onde é que está a ser mesquinho, preguiçoso, quadrado e fútil. O ego desenvolve-se através do nosso sistema de crenças, das construções mentais que fazemos (conscientes e inconscientes), da forma como somos educados/as e de todas as influências externas que recebemos ao longo das nossas vidas… É por isso que ele será, tendencialmente, todas estas coisas mais chatinhas, sim. Porque vivemos numa sociedade egoísta, que promove a competição desde muito cedo ao invés da partilha, da união e da empatia… Que estimula muito o intelecto racional e analítico e pouco espaço dá às nossas sensibilidades, emoções e sentimentos…
Na realidade, o problema não está no ego em si, mas naquilo que fazemos dele. E nós pouco fazemos dele, porque não nos é ensinada a arte de questionarmos o nosso interior, de nos auto-observarmos e auto-conhecermos… O que nos é ensinado é a ser “assim”, “porque sim”, “porque foi sempre assim até hoje”. E o ego cresce, na mesma, débil, frágil, mas cheio de si, insuflado em razão, mania e certezas absolutas.
Então a solução não deverá ser a de o anularmos, mas a de o curarmos desta cegueira em que ele vive. A solução, acreditamos, está na busca por auto-conhecimento não como hobby ou passatempo, mas como uma ferramenta basilar para o desenvolvimento da nossa pessoa e, consequentemente, da sociedade em que vivemos.
A solução passa por flexibilizarmos o nosso ego, para que deixemos de apenas “achar que” e “pensar que” e passemos também a “sentir que” e a “intuir que”, porque sim, a intuição também faz parte de todos nós. A solução passa por unirmos as partes de que somos feitos, ao invés de continuarmos a ignorar umas para integrar outras… O Eu inteiro é feito de todas as nossas partes. Todas.
Um ego saudável permite-nos chegar ao nosso poder pessoal de forma equilibrada. Permite-nos afirmar a pessoa que somos de forma equilibrada. Permite-nos alcançar segurança, auto-estima, auto-confiança, de forma equilibrada. Permite-nos fortalecer a nossa personalidade, encontrar a nossa voz, dar espaço ao nosso brilho interno para se manifestar. Um ego saudável traz equilíbrio ao nosso Eu. E verdade. Permite-nos alcançar o nosso verdadeiro Eu.
E no nosso verdadeiro Eu há muitas cores. Algumas coloridas, brilhantes, bonitas… Outras mais escuras, cinzentas, esbatidas… Todas parte de nós. Há que aceitá-las todas, integrá-las todas, trabalhar com todas. O Eu inteiro é feito de todas as nossas partes – não nos esqueçamos disso!
Os tempos que correm pedem verdade. A verdade que é como é – e não a que gostaríamos que fosse. Pois é a partir dela – da verdade – que poderemos partir para a construção do que almejamos para nós, e para o Mundo em que vivemos.
Há muito caminho a fazer.
Haja discernimento.
De coração,
© Johanna Samna in Semeando
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