. RAINHA DE PAUS .
Queridas Pessoas,
Se Outubro foi um mês com um imenso potencial de desconstrução, Novembro é um mês com um imenso potencial de construção. É o ciclo da vida: desconstruir, construir. Caminhar, sempre.
Para Novembro chega-nos a Rainha de Paus e vem dizer-nos que está na hora de darmos um passinho mais a fundo para dentro de nós mesmos/as, na busca da nossa voz mais neutra: a voz da intuição.
Temos a ideia de que existem apenas duas vozes dentro de nós: a voz da mente e a voz do coração. Na realidade, como seres complexos que somos, há mais do que isso. A mente racional fala-nos baseada no que se apresenta à superfície, baseada nos formatos das crenças, opiniões e ideias. Já a voz do coração fala-nos através das emoções e por aí parece-nos o mais acertado… Mas quantas vezes produzimos emoções desvirtuadas? Quantas vezes é a voz da mágoa, da raiva, do ressentimento (e por aí adiante) a falar? As nossas emoções são, também elas, possivelmente moldáveis pelo nosso ego. Enganadas pela nossa mente.
Mas há uma outra voz, uma voz fininha, que ecoa de dentro de nós… Que muitas vezes parece apenas um sussurro e que nos dá a sensação de que não vem da cabeça, vem do peito, vem de dentro… Essa é a voz da intuição. Uma voz que não escolhe lados, que não aponta dedos, que não se deixa enganar. Uma voz que sabe. E que quando lhe é permitido que fale nos dá um baque no peito, com uma força inquestionável – “é isto”.
Inevitavelmente, para conseguirmos chegar a essa voz, precisamos de aprender a conhecer as outras duas. Precisamos de nos conhecer. Conhecer MESMO. Conhecer as armadilhas da nossa mente, os atributos do nosso ego. As nossas emoções genuínas e as que estão moldadas pelas dores, mágoas e ressentimentos. Precisamos de saber quem somos. Na nossa luz e na nossa sombra. Aí sim, aprendendo a separar o trigo do joio interno chegamos ao ponto neutro – à voz que intui.
Essa voz, perante uma situação de dor, não nos vai dizer: “estás assim porque pessoa x te fez isto”. Vai dizer: “estás assim porque precisas de aprender isto”.
Ouvir a voz que intui requer coragem. Porque ela não nos diz o que queremos ouvir, diz-nos o que precisamos de ouvir. É justa. É neutra. Ensina-nos a responsabilizarmo-nos pelas nossas vidas, a percebermos que tipo de sementes andamos a plantar e que nos leva a colher frutos indesejados. E isto pode parecer duro mas é exactamente isto que depois nos ensina a plantar as sementes certas que nos levem aos frutos desejados. Aqui começamos a estar ao comando do nosso poder pessoal. De sermos Mestres e Mestras dos nossos caminhos. Sem ter que culpar. Sem ter que desculpar. Apenas Ser. O melhor que conseguimos, humanamente, aqui na Terra.
Quando chegamos a este patamar dentro de nós mesmos/as não importa a razão, ou as mesquinhices da situação em si. Importa a aprendizagem. Importa o Propósito. Importa caminhar, transformar, crescer.
E na mesma as vozes da mente e do coração nos falam. Falarão sempre. Mas aí nós também vamos poder falar com elas de volta, ajudá-las a ultrapassar os momentos. A transformarem-se. A crescerem.
Isto tudo dentro de cada um/uma de nós. É belo, não é? Há tanto em nós para descobrir. E é tempo, verdadeiramente tempo, de percebermos que há mais em nós do que o que se apresenta à superfície.
O conteúdo escrito por Johanna Samna pode ser partilhado desde que seja referenciada a autora. Gratidão.
Imagem de Johanna Samna

