Carta da Segunda Quinzena de Abril (2016)

. 6 DE COPAS .

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Queridas Pessoas,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos o 6 de Copas para esta Segunda Quinzena de Abril e convidam-nos a abrirmos mais o nosso coração.

Estamos sob a influência de uma poderosa lunação – Lua Cheia em Escorpião, forte, incisiva. Ela vem confrontar-nos com as nossas próprias sombras, com os nossos medos, bloqueios, apegos e resistências de ego. Ela vem mostrar-nos que partes de nós estão ainda às escuras e precisam de consciência e luz.

Na prática, isto pode apresentar-se de forma bastante desconfortável, pois pode parecer que subitamente se instalou o caos nas nossas vidas. Acontecem diversas situações desagradáveis, irritantes, aborrecidas. Sentimo-nos constantemente desafiados/as e, muitas vezes, levados/as ao limite. Daqui começam a surgir bloqueios e estagnações. E vontade de berrar, explodir e/ou, muitas vezes, desistir.

Tudo isto é normal e faz parte de ser-se humano. São estas inquietações e aborrecimentos que nos levam a percebermos que há partes de nós que ainda precisam de atenção, cuidados e cura. É aquilo que nos aborrece que mais nos ensina – sobre nós mesmos/as, acima de tudo.

Se desatarmos a culpar tudo e todos, a racionalizar tudo o que está a acontecer e a impor soluções sob a perspectiva da autoridade desvirtuada e/ou da vítima, estamos apenas a querer apagar o fogo com gasolina. Não resulta. E não resulta porque esse é o caminho do ego, da zona de conforto, da ilusão do que “se pensa que” e “se julga que” e “parece que”.

Por outro lado, se escolhermos respirar fundo e abrir caminho à consciência, a luz ao fundo do túnel aparece. Aparece no momento em que deixamos de culpar os outros e paramos para perceber qual é o nosso contributo para determinada situação estar a acontecer, ou no momento em que paramos para perceber qual é o apego e resistência que ainda temos e que está a gerar determinado bloqueio nas nossas vidas. Ou, uma das mais difíceis, o quê que aquela pessoa que nos irrita e incomoda tanto nos está a espelhar sobre nós mesmos/as…

E na mesma seremos confrontados/as com emoções incómodas e sensações de resistência, medo e apego – aí, é necessário que abramos o coração à compaixão por nós mesmos/as. Que aceitemos as nossas sombras como aceitamos a nossa luz – com o mesmo amor e com o mesmo carinho. Elas também são parte de nós e se não as aceitarmos e encararmos nunca lhes poderemos levar a luz e a cura que elas necessitam.

E porquê que este processo é tão difícil?
Bom, existem obviamente as razões particulares de cada pessoa, mas existe uma razão comum a todos/as nós – a pré-concepção que construímos sobre aquilo que consideramos ser uma pessoa “boa” e ser uma pessoa “má”. O nosso dedinho apontado pronto a julgar é um dos nossos piores inimigos. É ele que, no momento em que precisamos de nos encarar a nós mesmos/as, nos bloqueia, porque automaticamente vamos achar inaceitável ser aquilo que constantemente criticámos no outro.

Por isso, um bom exercício a fazer-se é, também, o de pensar duas vezes antes de apontar o dedo. Pensar duas vezes antes de criticar. Pensar duas vezes antes de julgar. Pensar e sentir. Sentir com o coração. Aprendermos a ver as pessoas com o coração e não com o julgamento precipitado da superfície.

Quando começarmos a fazê-lo com mais frequência, vamos começar a perceber as razões que existem por detrás das atitudes, as causas que levam a determinados momentos, as particularidades que desaguam nas facetas diversas das personalidades… E fazermos esse exercício para fora e, acima de tudo, para dentro de nós mesmos/as, abre portas à compaixão e a uma visão largamente mais ampla do Ser.

Do Ser como Todo. Das inúmeras particularidades que compõem o mundo de cada pessoa. E o nosso próprio mundo interno. E aí, sim, conseguimos sentir, ainda que nuns momentos mais do que noutros, um amor belo. Por nós, pelos outros, pela vida. Por cada momento que vivemos. E aí, sem a menor dúvida, faz-se Luz.

De coração,
© Johanna Samna in Semeando, com orientação e guia da sua Equipa de Luz

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