Parece impossível, assim de repente, não é?
O que fazer ás tarefas e ás rotinas? O que fazer a tudo aquilo que todos os dias é imprescindível de ser feito? Aqui está logo a primeira armadilha que colocamos em nós mesmos/as – “imprescindível”. Será, mesmo? Será que TODOS os dias temos que encher o dia de afazeres, listas e urgências? Será que é mesmo assim, ou estaremos já nós viciados/as neste ciclo de stress e correria a que o dia-a-dia nos habituou?
E isto até nem seria grave, não fosse o facto de nos estar a pôr doentes.
De onde acha que vem a ansiedade, a angústia, a frustração, o vazio, a depressão, as alergias, as dores de cabeça, o cansaço extremo, a impaciência, etc, etc, etc? Claro que cada coisa tem a sua razão, mas há aqui um ponto fundamental que nos toca a todos/as – vivemos sem parar para respirar. Vivemos sem viver, na realidade. Corremos de tarefa em tarefa, deambulamos de rotina em rotina e todos os dias se tornam opacos e iguais, cansativos, extenuantes. O simples torna-se complicado, o leve pesaroso e depois, o que é realmente complicado e pesaroso aguenta-se como? Já não há espaço para tanto. E começam as chatices, os desentendimentos, a falta de paciência e compaixão… Por nós, pelos outros, por tudo. Depois vêm as culpas, os remorsos, as compensações desajustadas e as doenças sérias (sim, porque o corpo vai-nos alertando como pode). E, no meio de tudo isto, muito do que é realmente importante passa-nos completamente ao lado – e isso, com o tempo, gera um profundo sentimento de vazio.
Reorganizar o seu tempo e prioridades é uma boa ideia, sim, uma óptima ideia. Mas isso leva o seu tempo e há momentos em que o nó interno é tão grande que nos sentimos prestes a explodir. E aí só há uma coisa a fazer – absolutamente nada. Simples assim – reserve um dia para não fazer nada. E se neste preciso momento se estiver a rir de forma nervosa e a revirar os olhos – “ah, como se eu pudesse” – então é mesmo este o momento em que precisa de o fazer. Reserve esse dia já esta semana. Aproveite a sua folga, (ou um dia do fim-de-semana, por exemplo) e comprometa-se com esse dia tão seriamente como se compromete com todos os outros pormenores que lhe tiram o fôlego e o descanso todos os dias. Nesse dia páre. Relaxe. Deite-se no sofá e veja televisão. Leia um livro. Durma. Esteja num ambiente tranquilo, livre de ruídos e conflitos. Esqueça a loiça por lavar, a gaveta para organizar, as compras por fazer. Esqueça a rotina. Mais – desligue o telemóvel. Desligue as redes sociais. Tire uma verdadeira folga – um tempo onde verdadeiramente repousa e descansa.
Perceba que este repouso total funciona como um remédio, uma recarga de forças e pode (sim!) evitar que se esgote totalmente ao ponto de ficar doente. Se não pode fazê-lo todas as semanas faça pelo menos 2 vezes por mês ou uma! Uma vez por mês, no mínimo.
Por aqui estamos a aprender a fazê-lo, também. E resulta mesmo. E ás vezes, é nesses dias de não fazer nada que tudo começa a fazer sentido, pois longe dos ruídos, da confusão, dos toques e das notificações é quando o nosso interior, finalmente, arranja espaço para se fazer ouvir.
Abraçando todos/as,
© Semeando
O conteúdo escrito pelo Semeando pode ser partilhado desde que seja referenciada a fonte. Gratidão.
Imagem do site hqwallbase.pw

