Carta da Primeira Quinzena de Agosto (2015)

. RAINHA DE ESPADAS .

Rainha de Espadas

Queridos/as,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos a Rainha de Espadas para a Primeira Quinzena deste mês de Agosto e “verdade”, continua a ser a palavra do momento.

Na noite de 31 de Julho tivemos uma poderosa Lua Azul, uma Lua Cheia de poder duplicado, que nos trouxe um potencial ainda mais forte de darmos verdadeiros saltos de transformação em nós mesmos/as e nas nossas vidas. Então, a pergunta é: o que nos prende?

Mas aqui, a nossa Rainha de Espadas pede que sejamos mesmo, mesmo honestos/as na resposta a esta pergunta. Não vale apontar o óbvio – o trabalho que é das 9h ás 18h e não deixa margem para mais nada; o marido que não pode ou a mulher que não consegue; a dor no pé ou na ciática; o pai que não aceita, a mãe que fica triste; o “oh, eu queria muito, mas hoje já não dá, fica para amanhã”… Isto já nós sabemos.

A pergunta é: o que REALMENTE nos prende?

De que temos medo? Ou será que temos preguiça? Que estamos assim TÃO confortáveis nas nossas zonas de conforto? A quem queremos agradar? Que expectativas queremos superar? Que imagem queremos manter perante os outros? Que sentimento é este que andamos desesperadamente a ignorar porque não é assim tão bonito? Ou assim tão nobre? Que escolha é esta que não queremos fazer por medo das consequências? Ou da responsabilidade?

É disto que precisamos. De ter uma conversa mesmo verdadeira connosco mesmos/as. De nos deixarmos de máscaras, de manipulações, de resistências ás verdades que se apresentam bem à nossa frente. Para quê resistir? A verdade continua a ser a verdade, mesmo que tentemos fugir dela ou ignorá-la, ou vesti-la de ilusões e mentiras.

E a verdade, a apresentar-se como é, transforma. Faz milagres. Mesmo aquela verdade dura e/ou feia que nós não queríamos nada ter que enfrentar. Essa é a porta para a transformação. A transformação que ocorre da profundidade do nosso Ser, sem enganos, sem ilusões. Porque provém da verdade.

Temos inveja? Ok. Ciúmes? Ok. Raiva? Medo? Necessidade de ter sempre razão? Ok. Manipulamos os outros para obtermos o que desejamos? Ok. Deixamos que os outros nos manipulem para continuarmos a ser os/as bonzinhos/as aos seus olhos? Ok. Impomos a nossa autoridade? Temos a mania que só nós é que sabemos? A mania das grandezas? Ok. Somos mentirosos/as? Egoístas? Rancorosos/as? Ok.

Pronto. Somos. Assumamos.

Digamos para nós mesmos/as: “Afinal sou rancoroso/a!” (por exemplo)
E logo a seguir: “Bolas, que coisa tão feia de se ser…”
E logo a seguir: rimo-nos. Descomplicamos.
E podemos sentir-nos felizes por sermos verdadeiros/as, porque agora SIM, estamos preparados/as para percebermos de onde vem esse rancor ou esse outro sentimento, onde se manifesta, porque existe, o mal que nos faz, o quanto pode estar a prejudicar a nossa vida e, finalmente, a necessidade de o deixar ir, transformando-o numa outra coisa, melhor, útil aos nossos caminhos. Transformando-o numa pérola de sabedoria.

Nós estamos tão presos aos rótulos e à necessidade de correspondermos àquilo que alguém disse que seria o ideal para sermos perfeitos/as ou luminosos/as, que negamos automaticamente tudo aquilo que não corresponde ao quadro, sem sequer percebermos se realmente o somos ou não! Todos/as fazemos isto. E depois todos/as somos isso tudo que negamos sem nos darmos conta, sem controle, sem qualquer noção de o estarmos a ser e isto será cada vez mais óbvio. E mais flagrante. Pois os tempos que atravessamos são de desconstrução e limpeza e tudo virá ao de cima. Tudo o que precisar de ser limpo e alinhado.

E sabem qual é a outra magia que ocorre daqui? Do encontro com a verdade? A próxima pessoa que nos aparecer à frente assim, rancorosa, por exemplo, não nos vai incomodar tanto. Porque já não faz um espelho tão grande. Se calhar, na melhor das hipóteses, até vai ser possível que a ajudemos a perceber essa coisa “tão feia” que ela tem, não do alto do pódio de quem sabe mais do que os outros, mas lado a lado, no caminho da verdadeira compaixão – aquela que se toca em reconhecimento e amor. No caminho de quem se toca sem superioridades nem imposições, apenas no reconhecimento da verdade como ela é e na abertura dos potenciais de cura e transformação que encontrou para si mesmo/a.

Em cada coração existe uma Espada de Verdade. A Espada que abre o caminho interno, na busca de si mesmo/a, na expansão da sua Essência. A Espada que abre, consequentemente, o caminho a esta Nova Terra que tanto almejamos.

Usemo-la. É mais do que hora!

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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