. 5 de Copas .
Queridos/as,
Entramos em Julho com o 5 de Copas para a Primeira Quinzena e novamente nos está a ser pedida a libertação das velhas bagagens emocionais.
Receber novamente este tipo de conselho faz-me perceber o quão teimosos somos, enquanto Seres Humanos. O quão viciados estamos nos velhos padrões de comportamento, nas velhas estruturas, nas memórias, nas lembranças, na razão, na mágoa, na dor, no sofrimento.
Já não há razoabilidade neste tipo de conduta, nesta forma de viver. Já não faz sentido e todos/as sabemos disso, de uma forma ou de outra. Então porque continuamos a fazê-lo?
Porque continuamos a justificar as nossas atitudes com as atitudes dos outros? Porque continuamos sentados/as no escuro, sozinhos/as e em profunda tristeza, pelas mágoas do passado? Porque continuamos a colocar nos ombros de quem chega o peso de quem já partiu? Mais – porque continuamos nós a carregar tudo isso?
Especialmente quando já percebemos que essa é, provavelmente, a maior causa dos nossos bloqueios?
Cada vez o peso é mais pesado e cada vez o será mais – até se tornar insuportável.
E isto não é castigo, nem punição. É fruto do momento. É fruto do que nós pedimos. Nós pedimos mudança, certo? Estamos fartos/as disto ou daquilo, queremos algo de diferente, estamos cansados de sofrer, reclamamos diariamente por algo que já não suportamos mais… Queremos inclusive, a uma escala maior, um mundo melhor, certo?
Então e como achamos, exactamente, que isso irá acontecer? Assim, como que por um toque mágico, acontece? Sem mais nem menos? Assim, como que por um toque mágico, a mudança cuja responsabilidade é inteiramente nossa, acontece, sem que nós façamos nada por isso?
No fundo, no fundo, nós sabemos que isso não vai acontecer assim. Assim como um velho armário, a abarrotar de coisas que já não precisamos, bolorento e desorganizado, não vai, miraculosamente, aparecer limpo e pronto a receber coisas novas. Cabe a cada um de nós abrir as portas do seu velho armário e deitar fora o que está partido, o que está a causar o bolor, o que está a mais, o que já não serve e o que já não se quer, para que haja espaço, finalmente, para entrarem coisas novas lá dentro.
O novo que pedimos chega, sim. Mas precisa de espaço para entrar. Vamos continuar a precisar de chegar ao limite dos limites da exaustão para o arranjarmos?
Amanhã entramos em Quarto Minguante, altura óptima para procedermos a este processo de libertação. É isto. É agora. Sem mais desculpas nem justificações. Deixemos ir o velho, o passado, a bagagem pesada e antiga. Claro que custa, claro que dói. Mas, quando finalmente tivermos espaço e nos sentirmos libertos/as e livres para seguirmos rumo ao novo… Vai valer a pena.
Coragem.
Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando
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