Carta da Segunda Quinzena de Junho (2015)

. 5 de Ouros .

5 de Ouros

Queridos/as,

Entramos hoje em Quarto Crescente e é uma boa altura para avaliarmos a forma como andamos a projectar as nossas emoções. Estamos sob a influência de Caranguejo, signo de água que mexe com o nosso campo emocional, com as nossas raízes, com as nossas ligações e relacionamentos, com a família.

É muito provável que, face aos últimos eventos das nossas vidas, sintamos algum (ou muito) cansaço emocional, fruto de mágoas, perdas, desapontamentos e conflitos. É muito provável que o desânimo e a desilusão nos leve a pensar coisas como “mas porquê que isto me acontece a mim?”, “eu não faço mal a ninguém” e “eu não merecia isto”.

É muito provável que a nossa vítima esteja a ganhar terreno no nosso interior e é isso que os Arcanos do Tarot nos lembram nesta Segunda Quinzena de Junho ao enviarem-nos o 5 de Ouros como energia para a quinzena.

A vítima é uma parte de nós que, como tantas outras, tem sido marginalizada, condenada e posta de lado. Temos sido ensinados/as que “não é preciso chorar”, que “a tristeza é fraqueza” e que sentirmo-nos magoados/as e desapontados/as é “sermos mariquinhas”. Pior do que isso é que “não te faças de vítima” é usado como se fosse uma espécie de insulto.

E isto não podia estar mais errado.

A vítima É uma parte de nós. Uma parte como tantas outras que tem sido ignorada e castrada porque reconhecê-la e, consequentemente, enfrentá-la, significa partir mais uma caixa. Mais uma daquelas caixas que ampliam a consciência e nos devolvem a liberdade de nos questionarmos e sentirmos em verdade e clareza.

TODA A GENTE tem uma vítima dentro de si. Mais ou menos intensa, mais ou menos vincada, mais ou menos proeminente, mas está lá. E queixa-se. E resmunga. E chora. E ignorá-la é um erro.

É ela, a nossa vítima, que nos ensina muito sobre as nossas emoções. Que nos ensina que tipo de emoções negativas estamos a alimentar, que coisas precisamos de transformar e onde é que precisamos de renovar forças. É ela que nos mostra onde estão os nossos limites e quando é que esses mesmos limites foram ultrapassados e é altura de levantar o escudo e proteger o nosso território.

Sim, ela ensina-nos muitas coisas e é por isso que devemos olhar para ela com olhos de aprendizagem. Embora pensemos que ignorá-la, fingir que não dói ou que não se sente, faz desaparecer as mágoas ou as situações, isso não é verdade. Nem tão pouco é verdade que é isso que nos torna mais fortes. Não, isso faz de nós distraídos/as, dissociados/as e desconectados/as das nossas emoções. Ficamos sem controle nos remoinhos que se vão formando nos mares dos nossos sentimentos e o efeito “panela de pressão” começa a surgir. Ferve, ferve, borbulha… Até que um dia explode. Sem qualquer controle da nossa parte sobre isso.

É isto que queremos? Continuarmos a ser meros robôs das crenças de um consciente colectivo egóico e manipulador? Ou queremos conhecer o que se passa dentro de nós e ter, nas nossas mãos, o verdadeiro comando das nossas vidas?

Quem manda nas nossas emoções? Nós ou os outros?

Tenhamos também em atenção que, permanecermos demoradamente em modo de vitimização também não é uma solução viável. E isto nada tem a ver com ser-se fraco ou “mariquinhas”, mas sim com a consequência de que, ao ficarmos mergulhados/as neste modo por demasiado tempo, acabamos por nos afundar. E, gradualmente, tudo começa a afundar nas nossas vidas.

É tudo uma questão de mudarmos a perspectiva com que estamos a olhar para as coisas. Olhemos com o olhar de quem aprende. De quem quer aprender. De quem estuda. De quem observa. De quem se sente. De quem cai, sabe que caiu, aprende porque caiu e a seguir, honrando a aprendizagem, levanta-se.

A vítima, por norma, é a que nos ensina as mais duras aprendizagens. Mas é das mais duras aprendizagens que surgem as mais belas pérolas de sabedoria.

E se tivermos que chorar, choremos. Chorar não enfraquece ninguém. Chorar liberta e despeja! Libertemos, então! Chegou o Verão, arranjemos espaço para o nosso Sol interno poder brilhar!

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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