Queridos/as,
Para esta Segunda Quinzena de Março os Arcanos do Tarot enviam-nos o Ás de Copas. E, antes de avançarmos para o significado deste conselho, será interessante relermos a Carta desta Primeira Quinzena de Março, para compreendermos com maior profundidade o salto que a busca da verdade interna nos permite dar. É interessante analisarmos a sequência dos conselhos que nos são dados para compreendermos que uma coisa leva a outra e que assim, sucessivamente, vamos trilhando um caminho de crescimento interno e, consequentemente, externo.
Este maravilhoso Ás de Copas vem coincidir com uma altura em que vamos ter vários acontecimentos importantes. Dia 20 de Março entramos na Lua Nova em Carneiro, energia que nos dará garra e fogo para firmarmos as nossas bases e propósitos. A juntar teremos um Eclipse Solar, que nos permitirá arrancar das profundezas do nosso Ser todos os obstáculos que não nos têm permitido seguir em frente. A culminar, também a dia 20, dá-se o Equinócio da Primavera – a estação que nos ensina a florescer. A fazer brotar o que de melhor e mais belo há em nós. E é exactamente aqui que o nosso Ás de Copas acentua a mensagem – façamos brotar a nossa Essência mais Pura.
O Ás de Copas representa a Flôr de Lótus – a flor que emerge do lodo, pura, íntegra, bela.
E como é que fazemos isto? É aqui que (re)aconselho a leitura da Carta anterior, o Ás de Espadas – está tudo lá. A Verdade é a chave. É importante começarmos a substituir os conceitos de “bem” e “mal”, “justiça” e “injustiça”, “certo” e “errado” por um conceito bem mais certeiro – A Verdade.
Qual é a verdade que brota dos nossos corações? O que nos rege? O que comanda cada acção nossa? Cada reacção? Cada pensamento? Cada emoção? A mente inferior? A mente superior? O ego? A Luz? A Sombra? O que predomina nos nossos corações? Deixamos a nossa Essência mais Pura manifestar-se? E o que significa isto, afinal?
A nossa Essência mais Pura é a parte mais neutra e profunda que habita em nós. É a Voz que ecoa da nossa mais profunda intuição, que ecoa do nosso Coração Sagrado, que mantém a ligação com a nossa Centelha Divina.
A grande questão que aqui se coloca é que erroneamente acreditamos que “tem que ser” a “voz boazinha” – sendo que o termo “boazinha” está impregnado com todas as conotações, regras, limites e pré-concepções que colectivamente existem. Enquanto nos prendermos a conceitos de “bonzinho” e “mauzinho” dificilmente iremos saber ouvir esta Voz. Esta Voz que é nossa, profundamente nossa, mas que não se consegue fazer ouvir por entre as milhares de construções egóicas que vêm sendo criadas à séculos! Séculos da nossa História de Alma ondulam pelo nosso ADN em memórias adormecidas. Séculos da nossa História de Alma regem e adornam a nossa personalidade. Séculos! No “bom” e no “mau” sentido.
Não podemos convencer-nos de que num ápice somos Luz e Ascensão perante o intenso e profundo trabalho que há a fazer na nossa condição humana e física para resgatarmos esta parte Pura, sim, que existe, sim, mas que exige, acima de tudo, o nosso profundo discernimento para ouvirmos a VERDADE. A Verdade – sem contornos.
Vamos sentir este apelo com mais urgência, ao longo desta quinzena – este apelo de despertarmos a nossa consciência para mais do que aquilo que as paredes da caixa física conseguem alcançar. Pode manifestar-se até de forma inquieta, numa espécie de latejar interno a pedir mais. Algo mais que podemos nem saber definir bem o que é. Toda a energia do momento se proporciona para que isto se dê, em cada um dos nossos corações. E nós vamos senti-lo, certamente. E para quem já tem a consciência desperta? Um mergulho mais profundo, um salto de maior abertura… Mais. Verdade.
Porquê resistir? O que nos leva a resistir? Porque continuamos a negar? Poderemos fazê-lo, claro. A escolha é sempre de cada um de nós. Poderemos usar a energia de garra e fogo que esta Lua Nova proporciona para alimentarmos a teimosia e a resistência que nos continua a fazer viver em negação com a nossa própria Essência. Mas porquê? Para quê? Já não chega? Há tanto a descobrir! De que temos medo?
Questionemo-nos! É o mote do momento. Questionemos o nosso interior, abrindo caminho por entre as vozes do ego e das ilusões até chegarmos á Voz da nossa Essência mais Pura – qual Flôr de Lótus que emerge, intacta, por entre o lodo.
Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando
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