Carta da Primeira Quinzena de Março (2015)

Ás de Espadas

Queridos/as,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos o Ás de Espadas para esta Primeira Quinzena de Março.

Pede-se Verdade. A Verdade.

E a verdade é que nós não sabemos o que é verdade. E este deverá ser o nosso ponto de partida. Para chegarmos à verdade, há um longo e árduo caminho a ser trilhado por nós mesmos/as, para DENTRO.

Estamos num mês atribulado, propício a mergulhos profundos nos mares das emoções e a Lua Cheia entra já amanhã – estamos no auge desta energia. Podemos usar todo este combustível de energia emocional para nos reavivarmos, reanimarmos e reacendermos – fazendo brilhar o fogo interno que nos anima e faz mover; ou podemos, mais uma vez, entrar numa espiral de sofrimento e angústia aos trambolhões pelas ondas emocionais. Qual é a escolha que faremos?

Mais do que isso – QUEM faz esta escolha? Somos nós? São os outros? Quem anda a tomar decisões nas nossas vidas? O nosso Eu verdadeiro? Ou o nosso Eu formatado que pensa que sabe tudo e mais alguma coisa e é apenas mais um reflexo de tudo o que o rodeia?

Afinal onde está a nossa parte activa, pensante e consciente? Onde é que ela opera? Onde é que se manifesta? Será que sequer a conhecemos?

A busca pela verdade é a busca pelo nosso Eu. É uma busca interior e não exterior – e este tem sido o nosso maior erro – procuramos a verdade no exterior de nós, constantemente. Procuramo-la em livros, doutrinas, religiões, políticas, ciências, mestres… Procuramo-la nas opiniões dos outros. Nas conversas alheias. Procuramo-la por todo o lado menos no único sítio onde ela reside: DENTRO de nós mesmos/as.

Desenganemo-nos, no entanto, se pensarmos que basta assumirmos como verdade o que achamos que é a verdade… Porque o que nós “achamos que é” está inevitavelmente formatado por cada passo que demos desde que nascemos – pela educação, pela sociedade, pela televisão, pela internet, pelos media, pelas regras e por todo o sistema que nos molda (e manipula) de todas as formas e feitios.

Há que sabermos ouvir as verdades exteriores sem permitirmos que nos moldem e nos castrem. Há que saber ouvir um conselho sem fazer dele a muleta que resolve o problema por nós. Tal como há que saber dar um conselho sem impor no outro a nossa opinião ou vontade.

Questionemo-nos. Sem medos. Sem vergonhas. Sem necessidades de aprovação. Sem necessidade de termos razão. Questionemos o que nos move. O que nos leva a reagir de determinada forma. O que nos leva a pensar de determinada maneira. O que achamos disto ou daquilo. Questionemo-nos. Questionemos o nosso intelecto, a nossa razão, as nossas emoções. O porquê de sentirmos o que sentimos. Questionemos o nosso conceito de justiça. Todos os nossos conceitos.

Quanto mais questionarmos o turbilhão interno das nossas mentes, mais vamos conhecendo tudo o que passa pelas avenidas do nosso Ser e estamos assim, naturalmente, a percorrer o caminho de busca da Verdade. Um caminho onde observamos qual é a verdade que o ego nos quer impor e qual é a verdade que brota da nossa essência mais profunda – e é aqui, neste caminho, que estão todas as respostas ás nossas perguntas.

E como é que sabemos que “chegámos lá”? À verdadeira resposta?
Quando deixarmos de querer ter razão. De precisar de ter razão. Quando soubermos que aquela é “A” resposta, pura e simplesmente, porque a sentimos. Desde o mais profundo do nosso Ser.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Imagem de Johanna Samna