Carta da Primeira Quinzena de Janeiro (2015)

4 de Copas

Queridos/as

Passámos os últimos dias de 2014 sob a influência da Lua Nova em Capricórnio, que nos deu força e foco para reestruturarmos as nossas resoluções para 2015. Renovam-se as forças, as dinâmicas, os impulsos e as vontades, para que o novo ano traga mudanças e concretizações.

Praticamente todos pensamos nisto, praticamente todos focalizamos isto, mas há algo muito importante que praticamente todos esquecemos – o ano, por si só, não muda nada. Somos nós que temos que mudar. Tudo o que for preciso. E praticamente todos dizemos que já sabemos disto, que temos consciência disto, que este ano é que tudo vai ser diferente, que este ano é que vamos mudar isto e aquilo, levar a cabo determinada tarefa, concretizar determinado objectivo, inebriados pelo frenesim de estarmos perante o inicio de um novo ano e de se apresentarem 365 novas páginas fresquinhas e em branco.

No entanto, os Arcanos do Tarot enviam-nos o 4 de Copas para esta Primeira Quinzena de Janeiro e lembram-nos que há algumas coisas a termos em atenção.

Primeiro – estas páginas não estão em branco. Estas páginas estão já marcadas por todos os padrões e bagagens velhas e pesadas que continuarmos a fingir que podemos/conseguimos/queremos carregar ao longo de mais um ano. Continuando a fazê-lo, depressa veremos que este cheiro a novo não passa de uma ilusão e que na realidade, continua a predominar o velho e conhecido cheiro a mofo.

Segundo – este frenesim perante a perspectiva do novo que se apresenta tem a tendência de passar depressa, quando percebermos que as grandes resoluções que queríamos fazer exigem trabalho, responsabilidade e foco – e os egos não querem isso. Os egos querem zonas de conforto.

Terceiro – estamos sob a influência de Capricórnio e a teimosia reina. Podemos usá-la para sermos perseverantes no avanço que precisamos de dar ás nossas vidas (de uma vez por todas!) ou deixá-la cegar-nos na renitência de que não há nada que precisemos mudar.

2014 levou-nos a profundos e intensos mergulhos no nosso interior para que soubéssemos cada vez mais e melhor conhecer aquilo que nos move e de que somos feitos. Para podermos ser cada vez mais genuínos e vibrar na verdade dos nossos corações – e podermos, assim, ser livres.

Não estamos a iniciar 2015 com a mesma cegueira. Não podemos estar. E se estivermos, é por pura teimosia. É por birra. É por dependência e apego ao que precisamos libertar.

O inicio de 2015 marca o compasso da mudança, sim. Marca o arranque para um novo ciclo, sim. Mas tenhamos presente que as novidades e mudanças dependem exclusivamente dos nossos passos de acção.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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