Carta da Primeira Quinzena de Dezembro (2014)

O Carro

Queridos/as

Chegámos a Dezembro, prestes a culminar mais um ciclo anual das nossas vidas.

Dezembro é um mês interessante, um verdadeiro reflexo da dualidade que somos e em que vivemos. Traz-nos o Solestício de Inverno, que nos impele ao recolhimento e à instrospecção, mas influencia-nos com a Lua Nova em Sagitário, que nos agita e impele ao movimento e à expansão.

E os Arcanos do Tarot trazem-nos o Carro, para esta Primeira Quinzena de Dezembro, pedindo-nos que procuremos o caminho do meio, entre estes extremos, entre a dualidade.

Certamente que muitos de nós ainda se sentem atordoados/as com as influências desta passagem pela Lua Nova em Escorpião, que nos levou em mergulhos agitadíssimos pelas nossas emoções mais profundas – desde as mais depressivas e angustiantes ás mais alegres e eufóricas. Podemos inclusive sentir-nos momentaneamente com falta de foco ou sem saber como aterrar e pôr os pés no chão.

Entrarmos agora nestas novas influências energéticas pode ser positivo se seguirmos o conselho que os Arcanos nos trazem e procurarmos fluir por entre estas ondas, procurando sempre o caminho do meio.

E o que significa isto?

Em primeiro lugar, é urgente pararmos de nadar contra a corrente de nós mesmos/as. Se ainda continuamos aos tropeços e turbilhões emocionais é porque certamente há coisas que ainda não aceitámos em nós. Continuarmos a fingir que certas emoções e pensamentos não existem não nos servirá de nada, só trará contínuos períodos de angústia e ansiedade. Não há mal nenhum em aceitarmos as nossas falhas, dores, mágoas e sombras. São partes de nós e servem o seu propósito na nossa dualidade. Não podemos transformá-las em algo de útil enquanto não as encararmos e aceitarmos como existentes em nós. E este é o Caminho do Meio de que falamos hoje. O Caminho entre a Sombra e a Luz, entre a nossa dualidade.

Sagitário aponta a sua lança para uma visão ampla e mais além – vamos aproveitar esta energia para compormos as peças do puzzle que temos vindo a resgatar nos últimos meses.

Será bastante útil colocarmos as mesquinhices de lado e pararmos de querer controlar todos os pormenores e detalhes de todas as situações. Este é mais um mecanismo egóico que anda especialmente activo nos últimos tempos como forma de nos manter agarrados aos velhos padrões e formatos que teimam em manter-se presentes. São auto-armadilhas. Obtermos uma visão ampla significa desprender-mo-nos de tudo isto e visualizarmos o panorama maior, como se subitamente levantássemos voo por cima das nossas vidas e conseguíssemos ter uma visão geral do todo. Muitas coisas farão mais sentido, desta forma.

Este é um momento de observar e reflectir, sim, mas não de forma passiva e letárgica. Não no sentido de pararmos para ver a vida a passar, mas sim no sentido de fluirmos com ela, de nos permitirmos avançar por entre as ondas que atravessamos – segurando as rédeas nas nossas mãos.

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Imagem de Johanna Samna