Carta da Primeira Quinzena de Outubro (2014)

Pagem de Ouros

Queridos/as,

Os Arcanos do Tarot enviam-nos o Pagem de Ouros para esta Primeira Quinzena de Outubro. É-nos pedido que valorizemos o que de mais precioso temos. Entrámos também numa Lua Nova em Balança que nos traz o potencial do equilíbrio, principalmente a nível dos relacionamentos.
No entanto, antes de começarmos já a pensar nas coisas exteriores a nós, vamos focar-nos um pouco na primeira grande valorização que necessita de ser feita – a valorização a nós mesmos/as.

Temos atravessado intensos períodos de mudanças e transformações. Mudanças e transformações estas que nos levam a um trabalho interno de busca e conhecimento das partes que temos soltas e que necessitam de aceitação, reconhecimento e cura. E isto é belo, enriquecedor e transformador.

No entanto, facilmente fazemos deste trabalho um fardo castigador, na medida em que damos por nós á procura das nossas partes “más” que precisam de “castigo e punição” porque “queremos ser melhores e luminosos”. Entramos assim numa espiral de angústia e ansiedade, onde nos obrigamos a ser o que não podemos ser (somos humanos, acima de tudo!), exigindo de nós mais do que podemos dar, criando uma sensação de frustração e insatisfação que nos levam a um cansaço e exaustão quase constantes.

Temos lido, aprendido e ouvido que os momentos são de transformação, mudança e libertação – tudo isto para que possamos ser livres e felizes. No entanto, paralelamente, fala-se de conceitos de perdão, compaixão e amor que nos pedem paciência e ponderação.

Então em quê que ficamos? Liberto-me ou tenho que ter paciência? Digo o que sinto ou perdoo? Mudo ou aceito? Ficou ou vou? Faço ou não faço? Sou ou não sou? Tenho o direito ou não tenho?

Isto está a apresentar-se mais complicado do que parece… Porque continuamos a ouvir as vozes exteriores a nós. E este é o verdadeiro problema! Continuamos á procura de respostas naqueles que achamos que sabem mais do que nós, nos factores exteriores á nossa vontade e querer. Continuamos a colocar o nosso poder pessoal nas mãos dos outros e a agir em conformidade com a vontade dos outros. Continuamos a não ouvir o nosso coração e a não valorizar a nossa voz interior, a nossa intuição.

E esta sim, é a PRINCIPAL coisa a ser valorizada neste momento – NÓS MESMOS/AS.

Podemos ouvir conselhos, ler, aprender, ouvir, saber. Existem pessoas em quem confiamos, pessoas que amamos, pessoas que fazem parte das nossas vidas e que interagem connosco e que fazem parte de nós. E tudo isso deve ser levado em conta, sim.

Mas, em primeiro lugar e principalmente, é urgente aprendermos a respeitar a nossa individualidade, a ouvirmos o nosso coração, a pensarmos com a nossa cabeça e a honrarmos o nosso sentir. É urgente aceitarmos a responsabilidade pelas nossas vidas e recuperarmos o nosso poder pessoal.

É urgente criarmos uma estrutura interna equilibrada e firme, assente no auto-respeito, na auto-confiança e no amor-próprio.

E isto não é egoísmo, nem egocentrismo, nem falta de Luz. Isto é verdade, responsabilidade e respeito. Isto é criar uma estrutura de equilíbrio e segurança interna para, aí sim, podermos trabalhar os nossos relacionamentos exteriores de forma saudável, sem pormos em causa a nossa individualidade e sem desprotegermos o nosso território pessoal.

Cada um/uma de nós é responsável por si mesmo/a, pelas suas escolhas e decisões. Cada um/uma de nós é responsável por se valorizar, amar e respeitar.

Como poderemos exigir isto dos outros se nós próprios não o fizermos connosco mesmo/as?

Abraçando todos,
© Johanna Samna in Semeando

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Imagem de Johanna Samna